A Besta Fera e o Fim do Mundo

A Besta Fera é um conto onde por volta dos anos 40, no município de Propriá, que fica a beira do rio São Francisco, no estado de Sergipe, algo estranho cruzou os céus da cidade, aterrorizando todos os moradores do local. O alvoroço foi geral, pessoas correndo sem rumo, o pânico tomou conta da cidade.

Naquela época, muitas coisas comuns de hoje em dia ainda eram desconhecidas da grande maioria das pessoas, especialmente daquelas que viviam em pequenas cidades, vilarejos e no campo, a exemplo dos carros e aviões.

A Besta Fera
A Besta Fera (Foto: Pixabay)

Diariamente, ao final da tarde, era comum os moradores de Propriá, especialmente as mulheres, se dirigirem à beira do Rio São Francisco, carregando potes de barro, para pegar água no rio ou lavar roupas, pois naquele tempo ainda não havia água encanada, naquela região. Enquanto isso, os pescadores encerravam mais um dia de pesca, atracando seus barcos e canoas à terra firme e as crianças estavam na escola. O sol já se posicionava no horizonte, o céu com algumas nuvens que refletiam uma cor alaranjada do pôr do sol, foi quando surgiu, ao longe, um objeto semelhante a um grande pássaro que deixava um rastro de fumaça no céu e emitia um zumbido assustador. Como o sol já estava se pondo, a fumaça era vista com uma cor amarelada que lembrava fogo. As pessoas que avistaram o tal “pássaro que soltava fogo” se aproximando no céu com seu ronco sinistro ficaram sem entender o que estava acontecendo. Como, naquela época, a religiosidade era muito forte, imediatamente muitos ligaram o estranho objeto a besta fera, ser mitológico do apocalipse. O pânico foi geral, as mulheres que carregavam potes de água na cabeça largaram os potes e saíram correndo sem rumo certo, quem tinha criança na escola correu para busca-la, todas as igrejas lotaram, o caos tomou conta de toda a cidade. O resultado disso foi potes quebrados espalhados pelas ruas da cidade e pessoas amontoadas dentro das igrejas, rezando e esperando pelo fim do mundo.

A Besta Fera

Pedrinho era um jovem de vinte e poucos anos, morador de Propriá, rapaz estudioso que estava sempre bem informado do que acontecia no Brasil e no mundo, pois era leitor assíduo de livros, jornais e, especialmente, de uma revista da época chamada “O Cruzeiro”, em um tempo que a televisão ainda não havia chegado ao Brasil e o rádio ainda era para poucos. Alguns dias antes do ocorrido, uma matéria da revista chamou a atenção de Pedrinho. Falava sobre um avião de guerra que veio da Inglaterra para uma missão em São Paulo. De lá, partiria de volta para a Europa, fazendo escala em Recife, capital de Pernambuco. Pedrinho, então, percebeu que o tal avião de guerra inglês poderia passar por sobre Propriá. Não deu outra. No horário marcado, lá estava o avião cruzando os céus de Propriá, deixando um grande rastro de fumaça, causando todo o alvoroço e caos citados no parágrafo anterior. Pedrinho, juntamente com seus amigos, todos sabendo do que se tratava, começou a gritar nas ruas que o fim do mundo havia começado e que muitos iriam para o inferno, enquanto se divertia com as reações das pessoas nas ruas. O que para muitos fora uma tarde de terror, para Pedrinho e seus amigos foi de pura diversão que ficou marcada para sempre na sua memória.

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