Fantasma Fumante

Fantasma Fumante é um conto que te leva por volta da metade do século passado, na cidade sergipana de Propriá e na cidade alagoana de Porto Real do Colégio, ambas localizadas à margem do rio São Francisco, porém de lados opostos. Tudo começou com um boato sobre um fantasma que apareceu fumando em um cemitério. O boato acabou virando uma lenda: a lenda do fantasma fumante. 

 

Fantasma Fumante
Fantasma Fumante (Foto: Pixabay)

José Roberto era um típico morador de Propriá e, naquela época, trabalhava em Porto Real do Colégio, chamada carinhosamente pelos moradores da região apenas de Colégio. Seu trabalho era fazer a fiscalização das plantações de arroz da região. Todos os dias pela manhã, ele pegava a embarcação e fazia a travessia do rio em direção a Colégio, na outra margem. Chegando lá, ia caminhando até o local de trabalho, que ficava a uma boa distância de Colégio, uma caminhada de aproximadamente 10 km. No final do dia, fazia o caminho inverso.

 

Em sua caminhada diária, passava sempre em frente a um cemitério, desses que margeiam a estrada, sem muros. No início da noite, ao retornar do trabalho, Zé Roberto, como era conhecido na região, tinha o costume de fazer uma parada para descanso, entrava no cemitério e, como era religioso, fazia sempre uma oração aos mortos que ali encontravam-se enterrados, sentava em uma tumba específica, que era sua preferida, acendia um cigarro e fumava. Ao terminar de fumar, seguia seu caminho de volta para sua casa.

 

Certo dia, havia falecido uma senhora muito conhecida na região e seu enterro já estava sendo preparado. Zé Roberto, voltando do trabalho, a noite já chegando, seguiu seu ritual. Entrou no cemitério, fez sua oração aos mortos e sentou-se na tumba, acendeu seu cigarro e, de repente, ouviu sons de passos e pessoas conversando. Notou que adentrava o cemitério um grupo de dez ou mais pessoas e percebeu que se tratava de um enterro, o da senhora, pois alguns carregavam um caixão. De repente, um dos integrantes do grupo avistou Zé Roberto sentado na tumba e fumando. Apavorado, gritou: “Valha-me, Deus! Olha ali! É uma alma!!”. A correria foi geral. Zé Roberto, assustado com a situação, ainda gritou para avisar que era ele quem estava lá, porém só piorou a situação, pois foi aí que o pânico tomou conta de todos, pois além do fato do fantasma fumar, o mesmo ainda falava com eles. Largaram chapéus, sandálias, até o caixão com o defunto dentro, e correram em direção à saída do cemitério, ficando lá apenas Zé Roberto, porém, com medo de alguém voltar lá armado, a fim de enfrentar a assombração, Zé Roberto juntou os objetos deixados para traz, colocou-os próximo a uma das tumbas e se mandou de lá.

 

No dia seguinte, toda a cidade de Colégio rapidamente ficou sabendo da história, inclusive o Dr. Juvêncio que, na época, era secretário da prefeitura da cidade e muito amigo de Zé Roberto, a quem chamava de “Robertinho”. Dr. Juvêncio, sabendo da fama que seu amigo tinha, de aprontar, ao ouvir a história do fantasma que fumava, pensou logo: “só pode ser coisa de Robertinho”, e logo mandou chama-lo à sua sala para saber se ele tinha alguma coisa a ver com o ocorrido. Ao saber da repercussão do fato, Zé Roberto começou a ficar preocupado e temeroso e, ao entrar na sala de Dr. Juvêncio, havia, além dele, alguns funcionários da prefeitura. Quando ele contou toda a história ao Dr. Juvêncio, todos caíram na maior gargalhada, ninguém conseguia parar de rir. Para o protegerem de possíveis retaliações por parte da população, fizeram o trato de abafar os fatos e ninguém mais ficou sabendo a verdade sobre o fantasma fumante. A história se espalhou e, assim, surgiu em Colégio e em Propriá a lenda do fantasma fumante do cemitério.

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